quarta-feira, novembro 29, 2006

Sorrisos

Poderia falar hoje da luxuosa atuação da dupla Gre-Nal no último domingo que, além de golearem seus adversários, revelaram craques e confirmaram vaga à Libertadores do ano que vem. A comemoração do título do São Paulo ficou ofuscada com o massacre do Palmeiras no Parque Antártica e do Flamengo no Olímpico. Detalhe, um clube é paulista e outro carioca isso reforça ainda mais a minha felicidade.

Mas bem vamos ao que interessa nessa ocasião. Na segunda-feira, 27 de novembro, vi uma cena que me deixou muito surpreso e feliz ao mesmo tempo. Eram aproximadamente 18h45min quando passava de carro pela Av. Érico Verissimo me dirigindo à Unisinos. Vi um alvoroço de pessoas quase na esquina da Venâncio. Fiquei intrigado com aquilo, pois havia um motoqueiro parado. Logo, como quase todos nós seres humanos que lemos diriamente notícias horríveis nos jornais, temi e pensei o pior. Fui me aproximando e percebi que todos, sem exceção, estavam rindo, mas mesmo assim ainda não consegui entender o porque.

Como o trânsito naquele horário era muito intenso, demorei um pouco para me aproximar. Fui chegando e avistei novamente o motoqueiro cercado por mais pessoas. Mesmo vendo os sorrisos de todos ainda continuava temendo o pior. Enfim o sinal fechou e eu pude parar exatamente ao lado deles e percebi o motivo do sorriso daqueles moradores de rua. No baú da moto havia uma enorme panela de alumínio de onde saía uma sopa com legumes e verduras. A fumaça era intensa, mas com os vidro do carro fechados não podia sentir o cheiro. Ao lado da moto, em uma sacola, pães fresquinhos, aparentemente recém tirados do forno. Todos caregavam suas caixas de leite cortadas na parte superior que serviam de pratos para armazenar aquele líquido que os faria dormir, pelo menos aquela noite, bem alimentados.

O motoqueiro era rápido e os servia com rapidez e habilidade. Talvez porque tinha noção da fila de "atendimento" que o esperava. Fui para aula com esta imagem na cabeça. Mas com um misto desolação também me envolvia. Posso afirmar muitos que também passavam pelo local sequer deram importância para esse ato nobre. Um exemplo disso é pessoa que estava ao meu lado indo de carona comigo para aula. Ela nem reagiu ao meu comentário e muito menos olhou para o lado para ver o que estava acontecendo.

Seria interessante que alguns dos responsáveis pela administração da cidade fizessem o mesmo que esse desconhecido motoqueiro. Ao invés de ficarem trancados em seus gabinetes reunidos com pessoas que têm pouco interesse em resolver essas questões sociais, deveriam ir mais para as ruas para aprender com esses cidadão algumas formas de prestar o mínimo de soliedariedade aos necessitados e arrancar um tímido sorriso de quem geralmente chora de fome.

2 comentários:

Leandro Molina disse...

Mas é claro que eles saem dos gabinetes. Este ano, por exemplo, eles saíram. Foram às ruas, fizeram campanha política, e retornaram. Vão sair na próxima eleição em busca do nosso voto. E assim, seguem, sem olhar para os lados nas esquinas e avenidas, soberbos....
Abração.

Mauro Castro disse...

Hoje, 04.12.06, o parágrafo inicial deste post perde um pouco o sentido. O Inter levou um chocolate do Goias (4x1) e o grêmio perdeu para o raquítico Fortaleza...nada como uma rodada depois da outra. No mais, não sou partidário do assistencialismo, apesar de saber que para alguns moradores de rua é o que resta.
Há braços!!