sexta-feira, outubro 10, 2008

Ninguém quer ser chamado de bacharel

Nicolau Junior


Nessa semana muito se discutiu sobre a nova titulação do bacharéis em medicina aqui no Sul do País. Essa é a titulação que vem sendo conferida ao formandos em duas universidades do Rio Grande do Sul. Alguns futuros médicos e recém graduados concordam e discordam ao mesmo tempo sobre esse assunto. O Conselho Regional de Medicina (Cremers), vem se posionando claramente a favor da titulação de médico e não de bacharel aos formandos com base nas resoluções do Conselho Nacional de Educação (CNE). Para isso, compara com as resoluções do CNE, que institui as Diretrizes Currriculares Nacionais ao Curso de Graduação de Direito, onde é especificado o termo Bacharelado, assim como ocorre com o curso de Ciências Contábeis, traçando uma distinção clara entre os bacharéis e os técnicos específicos.

Mas o leitor deve estar se perguntando. O que isso tem a ver com o futebol? Já explico. O termo bacharel, pelo menos para o Cremers e a grosso modo, dá uma conotação de que se os futuros médicos, se forem titulados dessa forma, estarão sendo rebaixados na mesma. Apesar de alguns afirmarem que não existe distinção, o Cremers bate na tecla de que existe. É bem sabido que os bacharéis em direito só se tornam advogados e podem exercer plenamente a sua profissão, perante o exame e crivo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

E é a partir disso que centro o meu raciocínio voltado ao futebol. O técnico do Grêmio, Celso Roth, ainda é um aluno de graduação se comparado, por exemplo, com Wanderlei Luxemburgo, o mago Felipão, o próprio Muricy Ramalho e até mesmo o atual técnico do Inter, Tite. Portanto, se levarmos em consideração as diferenças de titulação adotadas pelo CNE, Tite já é técnico específico, enquanto Roth ainda precisa passar pela aprovação da OTT (Ordem dos Torcedores Tricolores), mas antes disso, será um bacharel, caso deixe de ser aluno universitário. Tite já levantou o caneco da Copa do Brasil pelo mesmo Grêmio, em 2001. Já Roth foi campeão da Copa Nordeste pelo Sport, no primeiro semestre de 2000, alternando entre título cariocas e uma tal de Copa Sul, lembram? Pois é...

Entretanto, o terinador gremista, adquiriu experiência ao longo da sua carreira acadêmica. Repetiu inúmeras disciplinas (no Sul do país, cadeiras), foi o aluno mais mau-humorado, aquele que discutia com professores, que matava aula para ficar jogando sinuca no DCE e tomando cerveja nos bares localizados aos redores da universidades. Hoje, está prestes a se tornar um bacharel e se tornar um "técnico específico" com a conquista do maior título da sua carreira, isto é, o Campeonato Brasileiro deste ano.

É importante salientar que o ainda bacharel está a frente dos espcialistas treinadores de Palmeiras, São Paulo e Internacional citados aqui.

Pra concluir esse post, saliento que ser bacharel e técnico específico não quer dizer absolutamente nada, pelo menos em se tratando de futebol, mas que as desconfianças e as distinções para fins de conceito sobre quem é melhor ou pior existem, isso é fato. Tirar coclusões precipitadas e julgar antes da prova pode custar a repetência na disciplina do conhecimento. Testá-lo não custa nada. Se rodar, será um enterno bacharel ou até mesmo um mero aluno de graduação estagiário em uma empresa sem grandes pretensões.

Um comentário:

Rafael Mendes disse...

Ou o roth se forma esse ano e se consagra na vitrine brasileira do futebol, desbancando grandes "professores" ou vai se aquele mero aluno que mata aula pra joga ping-pong no dce da faculdade!! abraço tricolor..